Enquanto ele buscava na outra mesa suas coisas, ela roçava uma mão na outra, tamanho o seu nervosismo. Pensou em sair dali enquanto ele estava de costas, mas ele foi rápido demais em voltar ao seu encontro. Ele sentou e ficou ali parado olhando para ela, com um sorriso, enquanto ela, ora desviava o olhar, ora olhava para os lados ou para baixo sem falar nada.
- Estou te deixando nervosa? – Disse ele sem tirar o sorriso da boca.- Um pouco. – disse ela olhando para baixo e ainda roçando as mãos. - Não gosto que me olhem assim.
- Me diz como não te olhar. Quer que eu vá embora?
- Não! – Disse ela de ímpeto, já desejando não ter respondido daquela maneira.
- Então eu fico. – cruzando os braços num tom de brincadeira.
Enquanto a noite adentrava sem ser convidada com mais força no charmoso café Khalua, e a conversa tomava ares menos formais, ela sentia que conversar era muito melhor do que somente observar. Ela já devolvia os olhares para ele, ria alto, até o tocava quando falava. Conversaram sobre bobagens cotidianas, nada muito intenso. Ele olhava nos olhos dela quando falava e realmente parecia interessado no que ela tinha pra dizer. Ela definitivamente já estava encantada e deixara se levar por aqueles olhos glaucos.
- Meu Deus, já é tarde assim? – disse ela olhando para o relógio.
- Tarde? Não passa das 20:00hs?
- Tenho uma reunião amanhã as 08:00 e ainda não a preparei – disse desanimada.
- Não posso te deixar ir embora – fazendo um sinal negativo com a cabeça.
- Porque?
- Porque eu percebi que até agora não sei o seu nome.
- Helena.
- Muito prazer Helena – Disse ele já de pé, dando a volta na mesa, fazendo-a levantar e puxando-a contra si – Meu nome é Bernardo – sorriu ele enquanto beijava sua face. – adorei ter te conhecido.
Ela tentava se manter em pé, enquanto suas pernas tremiam e sua barriga esfriava. - O prazer é todo meu.
Enquanto ele a soltava, tudo que Helena desejava é que tudo acontecesse em “câmera lenta”, não queria que esse momento acabasse.
Bernardo pagou a conta e os dois começaram a juntar suas coisas e se preparar para irem embora. Na porta do Café Khalúa, ela explicou que iria pegar um ônibus na rua da Bahia e ele disse que o carro dele estava num estacionamento ali perto. Ambos estavam sem jeito na hora da despedida, e acabaram apertando as mãos e foram se distanciando.
Helena atravessou a rua da Bahia e começou a ler em voz alta, numa espécie de êxtase a frase do monumento da praça. – “minha vida é essa subir Bahia e descer Floresta...” Quando ouviu: “HELENA! ESPERE, HELENA!”
Ela virou-se de uma vez e viu Bernardo correndo na frente dos carros que buzinavam enquanto ele os atropelava.
- Helena... – Disse ele tirando o paletó pelo calor causado com a corrida – Que falta de cavalheirismo estou de carro, quer uma carona?
- Não precisa.
- Faço questão.
- Está bem, moro perto e preciso chegar rápido, vou aceitar.
Enquanto caminhava em companhia de Helena, Bernardo arquitetava a proposta que faria a ela no dia seguinte, e olhando-a tentava imaginar sua reação
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